Protect me from what i want

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quarta-feira, 24 de março de 2010

"...as crianças estão na esquina, trocando doces por cocaina, e eu não suporto mais meu cheiro de suór. E, se eu quebro meus espelhos é porque não tem mais nada ali pra mim.”

Nenê Altro.

segunda-feira, 22 de março de 2010

Talvez exista um lugar assim

Acho que existe um lugar mais tranquilo, mais calmo, tipo uma dessas cidadezinhas caribenhas dos livros do Garcia Marquez. Um lugar com o céu mais quieto, sol ameno e brisa leve. Onde o tempo fique assim e me deixe olhar pra trás e apagar pesadelos. Não vou mais apontar estrelas sozinho, nem desejar que o vicio te traga pra junto de mim. É triste, mas eu estou cansado. Talvez exista um lugar assim.

domingo, 14 de março de 2010

Sou

Sou alma,
Sou sonho,
Sou sorriso,
Sou muito mais do que sou capaz de explicar.
Sou grito,
Sou intenso,
Sou vivo,
Sou vida,
E quero sempre um pouco mais.

terça-feira, 2 de março de 2010

Outro de saudade

Outra noite, e estou nessa casa cheia do seu vazio.
Tomo mais um gole do meu desejo de você, acendo um cigarro.
Sento na minha velha cadeira de balanço e coloco a Billie Holiday pra tocar.
E fico aqui, sentado. Delirando em minhas saudades e ouvindo a Billie cantar

" ... you go to my head
with smile that makes my temperature rise
like a summer with a thousand Julys
you intoxicate my soul with your eyes
tho I'm certain that this heart of mine
hasn't a ghost of a chance in this crazy romance,
you go to my head..."

domingo, 28 de fevereiro de 2010

Um história de domingo

Ele era um desses guris que aos domingos, com a barba por fazer sobem ou descem a Rua da Bahia, quase sempre no fim da tarde. Quem o vê, até mesmo um observador mais desatento percebe que dormiu além da conta, bebeu demais na noite anterior ou que acabou de chorar ao som de uma música triste qualquer. Ele sempre está com um jeans surrado, blusa sem estampa e tênis gasto e nos domingos mais cinzas um suéter de lã velho que era de seu avô. A mão é outro fato marcante nesse guri. Unhas roídas pelo tédio e indicador e dedo médio meio amarelados pelo excesso de cigarro. Sempre caminha de cabeça erguida e olhos atentos, e um observador mais sensível poderia vislumbrar o brilho que carrega no olhar. É como se procurasse algo perdido, um tesouro, um livro, uma carta de amor ou na verdade procurasse por histórias. Um devaneio ou um fato, isso pouco importa. A noite já começa a aparecer quando chega até a Praça da Liberdade. Ele caminha entre as crianças que brincam, e resolve parar perto do coreto, onde acende um cigarro.

*

Ela era um dessas gurias que aos domingos sobem ou descem a Rua da Bahia, quase sempre no fim da tarde. Quem a vê, até mesmo um observador mais desatento, percebe que dormiu além da conta, bebeu demais na noite anterior ou que acabou de chorar ao som de uma música triste qualquer. Ela está sempre com um jeans justo, mas nada vulgar, uma regata qualquer, um All Star branco velho e nos domingos mais cinzas seu velho moletom azul com capuz. Ela carrega também uma bolsa, mediana, quase grande, onde carrega algum dinheiro, seus documentos, contas e crediários vencidos, lápis, rímel, delineador e um velho livro de poesias de Florbela Espanca. Um observador mais sensível veria que os olhos dela chamam a atenção, não somente por estarem sempre realçados com delineador e rímel, mas por trazerem neles um ar de duvida, de medo, mas bem no fundo, de sonhos. A noite já havia caído quando ela chega a Praça da Liberdade e caminha entre as pessoas que namoram e comem pipoca e para próxima ao coreto para ver algumas crianças brincarem ali por perto.

*

Foi numa dessas esquinas, vielas e ruas sem saída da vida que o acaso colocou de encontro esses dois. Na mesma Praça, ao redor do mesmo coreto, vendo as mesmas crianças brincar sem notar a presença um do outro até os pais levarem seus filhos para o refugio de suas casas parem enfim dormirem de cansaço.

Os dois se levantam, caminham em direção um ao outro, então muito próximos, eles param e olham juntos pra cima, uma brisa de verão corta seus corpos, e o céu que eles olham está azul, muito azul e cravejado de estrelas que formavam as mais variadas formas, de bichos, pessoas, até tesouros.

Ela olhou pra ele e ele olhou pra ela. Ele sorriu pra ela sem ter o que falar. Ela também sorriu pra ele, mas a guria disse:
- Aquelas estrelas parecem formar um elefante.
- O quê? – ele fingiu não entender.
- O céu, o céu está cheio de desenhos hoje – ela disse
Surpreso por alguém compartilhar essa idéia, a qual o guri já havia reparado em outros tempos, ele disse meio bobo:
- Verdade. Eu já havia reparado, mas achei que eram devaneios meus.
-Ah, eu sempre acabo assim, olhando pro céu. – ela disse.
- Olha aquelas – e se aproximou mais dela, chegando a sentir o seu cheiro doce
- Parece uma coroa de rainha – ele disse.
- Nossa! verdade – ela disse dando outro sorriso pra ele.

Nesse momento ele pensou em acender outro cigarro e em perguntar se ela queria tomar um café ou ver um filme no Belas Artes. Qualquer coisa besta ou inocente que se costuma dizer quando duas pessoas assim se encontram e são muitas pessoas que se encontram assim por acaso e por alguma razão, tanto faz se por alguns minutos ou pra sempre, por alguns instantes esses dois seres não querem se separar.

Mas ele preferiu não perguntar nada. Aquele instante que eles tinham vivido tinha sido intenso demais e o medo que ela tinha nos olhos o enfraqueceu pra continuar vivendo a história que ele procurava pra contar.

Ela também quis falar, mas aquilo que seus olhos não escondiam, mais uma vez a tinha feito perder a oportunidade de continuar uma história que poderia ter feito ela sentir tudo aquilo que sentiu nos instantes que ficaram próximos.

Trocaram mais um olhar, e seguiram seu caminho. Ele seguiu pra Av. João Pinheiro, coçando a barba e acendendo um cigarro, com um brilho intenso nos olhos, assim como a brasa do cigarro que acabara de acender. Seguiu seu caminho sem olhar pra trás, com sede vida. Ela seguiu pra Av. Cristovão Colombo, olhos marejados de lágrimas, com medo de olhar pra trás, e triste, por mais uma vez não ter tido coragem, por ter hesitado em seguir em frente. Seguiu seu caminho, com olhos cada vez mais expostos a duvidas.

Em outros domingos, os dois se surpreendem olhando sozinhos para o céu, buscando formas nas estrelas. E assim se relacionam sem saber. Embora, de certa forma eles nunca estivessem estado juntos.

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

Um pouco de carnaval, estradas e saudade

Feriado prolongado sempre me traz lembranças de outros tempos.

O carnaval trouxe aquele tipo de memória que te deixa confuso por te deixar bem ao sentir o vento no rosto, o cheiro da estrada e por encontrar sorrisos, abraços e beijos. Tudo isso ao lado dos melhores amigos que uma pessoa pode ter.

Mas essas lembranças também geram um mal estar por estar ao léu, sozinho.

Contar, viver, fazer histórias, no fim isso que importa.
E essas histórias, por mais banais e esdrúxulas que possam soar, são contadas pelos meus amigos. Isso me deixa feliz, e faz tudo valer à pena.


Fugindo das reflexões carnavalescas, feriados prolongados causam dor por serem só saudade.

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010

Excessos

Às vezes eu me sinto tão perdido nesse mar de pessoas com que convivo, cada qual tão único, com reações tão diferentes em relação a mim, que eu acabo me distraindo, e nem percebo os meus erros. E muitas vezes são grandes erros, afinal, errar é uma arte concorda?

Em tempos de autodestruição como os de hoje, sem intenção de qualquer tipo de pose, status ou coisa que o valha existe um garoto que sente como se nunca pudesse parar. Isso começou na infância eu acho. Sempre consumindo o máximo de brinquedos, histórias e sorrisos possíveis.

Hoje, me abstenho dos brinquedos,mas a sede por histórias principalmente é algo que me consome. É uma sede enorme por vida e sensações. Que se transparecem em excessos. Nas palavras, nos atos, nos sentimentos, na indiferença.

Que da minha rotina de excessos brotem sorrisos e histórias. E que meus dias se tornem vida, não repetições.

P.S.: E a você que lê, desejo o mesmo. Vida, não uma repetição.