Protect me from what i want

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sexta-feira, 8 de abril de 2011

O mesmo barco


Não sei dizer como, mas quando percebi estava pensando em você. Ontem eu ganhei um bom filme, algumas cervejas e um beijo gostoso de despedida. Estava me sentindo bem, calmo. Nessas horas sempre enumero coisas-a-serem-feitas como: ser uma pessoa menos vazia, ser uma pessoa mais forte, mais segura, mais sorridente, mais calma, mais tranqüila, mais feliz e caminhar com o mínimo de dor. E no meio das coisas-a-serem-feitas que a gente só enumera quando algo grande acaba e/ou algo novo começa que vi que estamos no mesmo barco, cada um a sua maneira, e que não nos resta nada a não ser continuar navegando.

terça-feira, 22 de março de 2011

O novo (de novo)

Outro ambiente. Ar novo. Rotina nova. No mesmo lugar. No entanto, a poeira se acumula naqueles cantos da alma que todo mundo tem medo de mexer. Medo de olhar para o espelho e não encontrar o velho sorriso amarelo ali. Nunca lidei bem com mudanças. Não deixo transparecer, pelo menos não a vista, deixo a poeira acumular nesses cantos que não chamam a atenção de olhos desatentos. Então eu volto. Mesmo ponto de partida. O estado inicial das coisas. O jogo recomeça. Jogo fora de casa, estádio torcendo contra lotado e um camisa 9 que depois de muita pancada perdeu um pouco do seu brilho e não tem muita motivação pra virar essa partida. Isso se chama vida. Ela estapeia nossas caras sem o menor pudor e nos mostra que somos os mesmos adolescentes cheios de dúvidas e nervosismos disputando a final dos jogos do colégio. A diferença é que não somos mais os adolescentes no colégio. A vida não é uma partida de futebol e nossas cabeças ainda tem muito espaço livre para questionamentos e dúvidas cada vez mais complexos como a noção do que é certo . Essa noção parece bem clara, mas cada vez que me deparo com o certo meu nariz aponta para o desconhecido.

Não vou falar que não gosto, mas demorou um tempo pr’eu aceitar isso. Não vou sair dizendo por aí que é ou foi simples. Mas que diabos é simples quando se tem vinte-e-poucos-anos?

Eu me sinto velho demais pra jogar tudo pro alto e correr pro mais longe possível. Velho demais pra fugir daqui. Só que em seguida me sinto jovem demais pra dar um passo a mais sozinho, sem olhar pra trás.

Então o que me resta é fechar os olhos e caminhar até cair outra vez. Parece tão real esse pesadelo de sentir estar perdido pra sempre.

segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

Quem sabe babe?


Olha babe, tá limpo, sem ironia, sem engano, sem medo. Amanhã, depois, quinta feira, no próximo fim de semana ou daqui alguns meses acontece de novo. E continua assim, sem nexo, sem eira nem beira, sem certeza, apenas continuamos à procura de nos sentirmos vivos como nesses momentos, em que o coração bate descompassado, a respiração fica ofegante e o silêncio fala por nós.

Quem sabe a próxima vez vai ser ainda mais celestial que essa, mais infernal quem sabe, deixa acontecer, deixa ser, deixa estar.

sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

Quem diria: vida nova.

Parece fácil. Acho que vou conseguir numa boa: primeiro eu procuro um trabalho, depois eu dou um jeito de voltar pra faculdade, se tudo sair acima da média quem sabe eu consiga um carro, talvez um apartamento só meu e se sobrar tempo, amor.

quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

2011. Ano Novo.




E minhas questões pessoais continuam tão fodidas e lamentáveis quanto estavam em anos anteriores. A única diferença foi passar os últimos dez dias sozinhos, bebendo feito um psicopata, tentando impedir o sentimento de frustração e impotência que insistia em bater em minha porta. E segui, tentando causar o maior estrago possível em tudo e todo que passavam por mim. Nada tinha o menor interesse. As pessoas eram vazias, limitadas, medrosas e se repetiam. O pensamento de ter que conviver com essas pessoas me corroia. As garotas pareciam legais a certa distância. O sol resplandecia e bronzeava seus corpos, mas vá se aproximar e ouvir suas lorotas-e-blá-blá-blás que você vai ter vontade de cavar um buraco na areia e enfiar a cabeça lá. A solidão parece mais amena toda vez que situações assim cruzam minha rotina.

Talvez eu precise de algo novo, que me arrebate que me faça sentir o sangue correr nas veias. A gente só vive uma vez. O inferno é a repetição.

Acendi um cigarro e segui andando pela orla, vendo o mar, com os pés na areia. Será que eu era a única pessoa que perdia tempo pensando nesse futuro mais incerto que os números da mega-sena da virada?

quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

Tenho escrito menos


E vivido um pouco mais.

Meus dias tem parecido com o clima Belo Horizontino.

Quentes, corridos e preguiçosos.

Mas sempre com tempestades de verão e aquela cerveja gelada no fim do dia.

Vou ali viver.


Foto: Guilherme Andrade (http://www.flickr.com/photos/guilhermeandradee)

quarta-feira, 17 de novembro de 2010

Ausência


Tenho andado de coração leve.

Um pouco cansado.

Às vezes impaciente.

Só que agora é diferente.

Tenho andado tranqüilo.

Tenho andado contente.


Foto do Guilherme Vilela: http://www.flickr.com/photos/suddenexplosions